20/10

A mamãe surtou, pirou, enlouqueceu!

Ma-Mãe, Sou Ma-Mãe - Por Carina Hatano Czerveny

Feriado prolongado em casa e ainda com o pequeno sendo diagnosticado com urticária, que belo começo de feriado, não é mesmo?!

Mamãe exausta desde o começo da semana, com o trabalho a mil, noites anteriores sem dormir direito, dores de cabeça diárias e intermitentes, de cansaço, eu diria. O pequeno fazendo muita birra, muito chororô e querendo ficar só com a mamãe – filho, vai um pouco com o papai (mamãããe!) e num dia desses, ele ainda disse ao marido: não é a mamãe! (Me remeti para a minha infância nesse momento, p/ a família dinossauro! Como pode um dia desses eu ser telespectadora de um desenho enquanto criança e hoje meu filho reproduzir a fala do baby?!)

Voltando. Numa bela noite de domingo, enquanto a mamãe passava a roupa do pequeno e olhava a casa bagunçada e ele chorando, gritando, querendo só a mamãe. A mamãe… SURTA, PIRA, ENLOUQUECE. E surta bem surtado, coitado do filho, coitado do marido, todo mundo levou e o mundo da mamãe desabou.

https://www.eueleeascriancas.com.br/2016/07/a-mae-esta-surtada.html

Quem ficou de chororô, junto com ele, inclusive, fui eu. Como pude? O que eu fiz? No que eu estava pensando? Como sou ingrata, péssima mãe, péssima esposa, péssima tudo. E naquele momento eu só conseguia pensar nos momentos terríveis que já tínhamos passado numa UTI e como eu estava sendo ingrata.

Mas então eu não poderia ter e exteriorizar sentimento negativo algum referente à maternidade? Porque a maternidade sempre é algo lindo, colorido e cheio de unicórnios? Nããão, não posso!! Quanta ambivalência, meu Deus! Sou péssima mesmo!

E no meio a tantos pensamentos desorganizados, dignos de que só EU estava passando por isso e o quão terrível EU era, encontrei a fanpage da Vegana é a sua mãe e fui lendo suas publicações até que encontrei um texto dela falando sobre a sua energia ter se esgotado e ter chegado ao limite. OPA! Os olhos da japa se arregalaram, me ajeitei na cama e fui lendo, lendo e me sentindo uma pessoa menos pior e percebi que talvez, eu não era aquela ET, insensível, desumana. (Talvez sim pelo meu estresse e minha atitude de explosão, mas não pelo meu sentimento). Mandei uma mensagem pra Júlia, agradecendo, na verdade, e a partir daquela noite, as coisas foram mudando e se endireitando.

No dia seguinte, tivemos uma roda de conversa sobre o terrible two (futuro post), com a psicóloga e pediatra da escola do Murilo, na qual pude me recompor de vez, organizar os pensamentos e emoções, me conscientizar de determinadas coisas e me desvincular dessa maternidade perfeita, em que a mãe não pode errar e muito menos ter sentimentos ruins em relação a ela.

E não é porque eu senti (e poderei sentir várias outras vezes) essa coisa medonha, que isso signifique que eu não ame meu filho ou não esteja feliz com ele. Muito pelo contrário, ele é a parte mais linda da minha história, das nossas histórias.

Por isso eu digo, sou mãe, ou melhor, mamãe. Psicóloga, mas sou, acima de tudo, humanamente tão “perfeita” a ponto de saber e informar que erro a todo o momento, na tentativa de acertar um pouco.

Bem-vinda ao mundo real, mamãe!

15/04

Por mais compreensão e menos julgamentos!

Ma-Mãe, Sou Ma-Mãe - Por Carina Hatano Czerveny

Tive meu filho com 38 semanas e meia, parto planejado (leia-se Cesariana) e talvez esse tenha sido o meu primeiro erro da maternidade ideal descrita por aí.

A minha tão aguardada amamentação, na verdade foi bem frustrante e me desestruturou emocionalmente, durando somente até o terceiro mês de vida do pequeno. A almofada de amamentação, item listado como um dos mais importantes do enxoval, foi deixada de lado. Entraram em cena: a mamadeira e a fórmula, tão discriminadas, coitadas, mas foram elas que nos deram força e fizeram com que o meu filho crescesse, ganhando peso a cada dia e ficando cada vez mais saudável, feliz e tranquilo. (Mas, como pode isso?)

A chupeta, objeto cheio de preconceito (inclusive meu, antes da maternidade) deu espaço ao conforto e acalento que ele precisava naqueles 35 dias dentro de uma UTI. Aliás, continua dando o conforto a ele e não penso em tirá-la tão logo. (E o dente dele, como vai ficar?)

Fonte: http://www.freepik.com/

Dormir no seu quarto planejado e decorado, dentro do berço, o qual demorei 7 meses para escolher, serviu até chegar o primeiro inverno. Levar ele para a nossa cama, dormir entre nós, erro fatal! (Cadê a independência dele? Que coisa feia, mamãe!)

Optar, depois de 10 meses em casa, por voltar a trabalhar, ter de deixá-lo cedo na escola e buscar no final do dia. Não abdicar da minha profissão, do meu trabalho em prol da maternidade em tempo integral, (que tipo de mãe é você?!)

Permitir que ele assista Galinha Pintadinha, Bob Zoom, Peppa Pig, dentre outros. Deixar ele ter contato com eletrônicos, mexer no celular, ao invés de ficar somente nas leituras e atividades super estimulantes. (O que você está fazendo com ele? Quer que ele cresça cheio de vícios?)

Por aqui, não comemos só alimentos orgânicos, frescos e muito menos colhidos na hora (como não?). E, embora ele ainda não tenha comido doces, já dei sim, batata frita e pizza. E quer saber? Nós amamos! (Você pirou de vez, só pode!)

Minhas queridas arteiRas, tão difícil esse negócio de ser mãe, não?! Ao mesmo tempo que é a melhor coisa da nossa vida é também muito cruel! Digo que, nesta minha pequena experiência, pra mim, a maternidade ideal é aquela que eu julgo ser a ideal, é aquela que cada uma tem um jeito diferente de resolver uma mesma situação, é algo subjetivo.

Portanto, minha gente, vamos nos conscientizar e pedir por mais compreensão e menos julgamentos! Afinal de contas, ser mãe é: ter o seu jeito de exercer esse papel!

21/03

Licença maternidade = Férias?

Ma-Mãe, Sou Ma-Mãe - Por Carina Hatano Czerveny

Acorda, troca a fralda, faz mamá, dá fruta. Está muito quente, troca a roupa, faz frio, agasalha. Brinca, estimula, lê livro. Ninguém é de ferro, coloca a Galinha Pintadinha, o Show da Luna, o que for! Começa a lavar a louça, não vou conseguir terminar. É hora de trocar a fralda de novo, cocô! Meu Deus, cocô, que lambuzeira! Vazou, vou ter que dar banho! Coloco no berço, no carrinho, deixo no chão? Preciso pegar as roupas, a fralda, encher a banheira, buáááááá, “calma filho, mamãe já vai”. Ufa!
Banho tomado. Vomitar agora? Jura? Outra roupa. Almoço, água, brincar, hora de dormir. Dor-mir! (será que durmo junto? Preciso terminar de lavar aquela louça, colocar água e comida p/ o Costelinha) Buáááááá. Mas…já…acordou? Pega no colo, coloca no chão, vem para o colo de novo. Beijos, muitos beijos, cheirinho no pescoço, “ai que delícia ter você”. Estou cansada, aliás, muito cansada! Preciso ir ao banheiro, mas agora não dá! Vou esperar o papai chegar, olho para o relógio, ih, ainda vai demorar.

Fonte: https://br.pinterest.com/pin/173951604334158270/

Quer mamar? Mamãe vai dar, dormiu, dormiu mamando. Só por precaução, não vou me mexer! Talvez respirar um pouco eu consiga, ufff, não acordou?! Como estou cansada, como ele é lindo, uma bênção de Deus, obrigada Deus! Dormi…
Buáááááá, “meu amor, que saudade”!! Troca fralda, vamos jantar, papai está chegando. Ma-ma – “oi meu amor, mamãe te ama”. Uma colher, duas colheres, “que lindo meu amor”. Três, quatro…“calma, cuidado, está gostoso o papa da mamãe?” Oba, papai chegou!! Preciso ir ao banheiro. Buáááááá, “mamãe já volta”, buáááááá, buáááááá. “Olha o Costelinha, filho”. “Cheguei, meu amor”. Água, troca a roupa para dormir, brinca, não posso estimular muito agora. É a hora da rotina do sono! Mas que rotina? Já passou da hora! Hoje não vai ter rotina, só hoje. Não é possível que ele não vai dormir bem só por causa disso. Ok! Vamos para cama (sim, ele dorme conosco. Sobre isso, um outro post). Mas eu não tomei banho ainda. Mamãe vai tomar banho. Buáááááá. “Já volto, papai vai brincar com você”. “Cheguei, vamos dormir”. Deita, levanta, deita, levanta, deitou, dá mamá, está quase dormindo…Dormiu! Até às 02:00H. Buáááááá, chupeta, cadê a chu? Achei, coloca na boca. Vira p/ um lado, vira p/ o outro. A melhor posição é atravessado. Cobre, descobre, cobre, descobre. Troca a fralda antes que acorde. Vou voltar a dormir, estou cansada. Meu Deus que anjinho, como ele é lindo dormindo, acho que vou tirar uma foto. Não dá, está escuro! Flash! Não, flash agora não. Deixa então. Mas como é lindo.
Já amanheceu? Eu nem dormi direito! Ok, vamos lá…

Quem aí acha que licença maternidade é férias?!
Mamães, contem suas experiências 😉